quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Sonho (Mas Talvez Não), de Luigi Pirandello




O Grupo de Teatro ExCena apresenta, nos dias 4, 5, 6, 11, 12 e 13, no Teatro de Carnide, a peça de Luigi Pirandello “Sonho (Mas Talvez Não)”. A encenação e a adaptação é de Paulo J. Vaz e a interpretação de Joana Duque e de Miguel Almeida, com a banda sonora original de Luís Costa Silva e a Assistência Técnica de Ana Correia. Cá vos esperamos!










(Fotos de Paulo Martins)

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Análise

“Em arte, o sentimento é que cria e não o cérebro”. Esta ideia parece-me particularmente interessante quando abordo o período de estudo da peça para a criação do papel. Desta vez resolvi fazer isso mesmo: analisei todas as cenas a partir dos sentimentos e emoções que captei na minha personagem (pelo menos aquelas que percebi nas primeiras impressões após a leitura). E escrevi cábulas num caderninho, para partilhar com o resto da equipa quando abordarmos as cenas em conjunto. Se todos os actores seguirem um processo semelhante, teremos uma panóplia de sentimentos para cruzar e pôr em comum quando começarmos a trabalhar a implantação das cenas.

Geralmente, nos nossos processos, preocupamo-nos em ter as cenas montadas o mais cedo possível, para «vermos a coisa a funcionar» e, com isso, ganharmos estímulo para avançar. Dou comigo a pensar que, desta vez, e dadas as características específicas do texto que estamos a trabalhar, talvez fosse boa ideia criarmos as cenas a partir do cruzamento de sentimentos das diferentes personagens, e só depois nos preocuparmos com as marcações, as movimentações, gestos, etc.. Ou melhor: o que quero dizer é que poderia resultar mais genuíno se essas marcações, essas movimentações e esses gestos resultassem da configuração exterior das emoções e dos sentimentos. Seria mais «stanislavskiano»... e talvez não fosse pior...

Paulo Vaz

sexta-feira, 12 de junho de 2009

O primeiro contacto com o papel

Para quem faz trabalho de actor, os ensinamentos de Stanislavski são sempre uma referência, uma orientação e até uma inspiração. A primeira ideia interessante que retenho da leitura do primeiro texto sobre a criação de um papel é a da divisão desse trabalho em três grandes períodos: período de estudo, período de experiência emocional e período de encarnação física. Gosto da forma como ele parece separar tão claramente estes períodos e sinto que, mesmo que não consigamos distingui-los com igual clareza no nosso trabalho de criação de um papel, a consciência da diferença entre cada um deles pode ajudar (e muito!) no percurso.

Outra ideia interessante: “na linguagem do actor, conhecer é sinónimo de sentir”. Acho que devemos dar muita atenção a esta afirmação, tão cara ao mestre russo. De facto, nós tendemos a ser muito cerebrais na abordagem de uma peça e na criação do nosso papel, construímos tudo de uma forma lógica, quando se calhar deveríamos fazê-lo de uma forma psicológica. Se calhar devemos deixar-nos vibrar com qualquer coisa que o papel nos transmita de afinidade ou de “familiaridade emocional” e criar a partir daí uma linha que dê sentido às partes obscuras do papel, em vez de querermos logo explicar racionalmente todas as coisas que nos custa perceber. Dito de outra maneira: acho que, pelo menos de início, deveríamos evitar a obsessão de explicar tudo e privilegiar a atitude de vibrar com alguma coisa. Pode ser só uma cena, ou um trecho, ou até uma fala; se despertar uma emoção suficientemente intensa e verdadeira, será o bastante para, a partir daí, criarmos o papel.

Paulo Vaz

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Recomeço

Após algum tempo de paragem, o Grupo de Teatro ExCena está prestes a recomeçar os ensaios, para dar corpo a um novo projecto. 
Neste espaço iremos dando conta do andamento das coisas, para todos os que aguardam, com ansiosa expectativa, o nosso próximo espectáculo, possam preparar-se para esse grande momento.
Viva o teatro!

domingo, 14 de dezembro de 2008

Boas Festas

Às nossas famílias, aos nossos amigos. Ao público que nos vê e nos faz querer continuar. Aos que amam o teatro.

Diário-Construção XIV

Sim, Armando, é verdade, chegámos ao fim. Um ano depois.

Não foi nada fácil o convívio contigo. Não por causa do teu mau feitio, dessa tua forma leve de encarares a vida. Não sabes como te invejo em determinados aspectos. Ou talvez saibas. Mas a convivência entre as pessoas está dependente de factores exteriores. E interiores. Há uma amiga que nos conhece que fala em fragilidades. E são elas que nos levam a determinados comportamentos. Nem sempre é fácil perceber quando é que o xadrez, esse jogo que tu tão bem conheces, melhor do que eu, é igual à vida ou um pouco como a vida. Ou não é de todo a vida. Se há momentos em que temos que nos unir a peças diferentes para mais facilmente podermos vencer os obstáculos e as jogadas numa confrontação de forças, outras há em que tudo depende só e só de nós. Para que te pudesse conhecer, para que pudéssemos jogar xadrez, beber numa espelunca poções (quase intragáveis), foi preciso que tivesse que pisar, de novo, aquelas tábuas. Nunca saberás como isso se tornou assustador, desta vez. Aterrador, diria mesmo. E ainda não percebi o motivo. Foi bom ter a voz reconfortante e tranquila de alguém que sempre ali esteve perto e que nos conhece. Muito bom mesmo. Eu e tu tivemos a oportunidade, noutros espaços, noutros locais, de conversar, de simplesmente… estar. Houve momentos em que se perdeu tempo. E o tempo é-me cada vez mais precioso. Talvez demasiado. Porque a felicidade, como tu um dia me disseste, pode passar diante de nós e nós não a aproveitamos. E depois pode já ser tarde. Contaste-me alguns dos teus segredos, às vezes ajudado pelas boas doses de poção mágica. Os cálices continuam a ser demasiadamente enchidos. Há aspectos em ti que nunca perceberei. Talvez tenha que ser mesmo assim. E há, também, uma tranquilidade infindável nisso.

Não sei o que irás fazer depois de descobrires a verdade do jogo de xadrez. E eu não poderei ver a tua reacção porque, entretanto, terás apanhado o comboio em direcção ao destino que sempre sonhaste. Não irás sozinho, decerto. E eu terei chegado tarde para vos ver partir. Mas sei que já terás uma solução. Talvez faça sentido (ou comece a fazer!) tantos rolos fotográficos, acabados de comprar, dentro daquela tua mochila, velha, gasta, cheia de nódoas e com um inconfundível cheiro a tabaco e aguardente. Vou ter saudades da tua também velha máquina fotográfica.

Sim, Armando, é verdade, chegámos ao fim. E quando lá chegares, vai aos locais onde estive e que tu tão bem conheces. E num trago de uma poção mágica recorda a magia deste espaço onde tudo aconteceu.
Paulo Martins